terça-feira, 17 de junho de 2008

Negociação X Burocracia


Duas semanas já se passaram da edição da Medida Provisória 432, que trata da repactuação da dívida rural, mas os entraves burocráticos ainda não permitiram que produtores e agentes financeiros credores sentassem para negociação. Ocorre que desde a edição da Medida Provisória o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – que é de onde sai o dinheiro dos financiamentos agrícolas, deveria ter repassado às instituições financeiras instruções para negociar a dívida. Até agora o BNDES não o fez e muitos produtores estão recebendo em casa avisos de cobrança de parcelas que, pela MP, teriam alongamento de prazo. No caso de investimentos o vencimento passaria para o dia 1º de outubro. Aliás, essas cartas de cobrança geraram um mal-estar que resultou em críticas de líderes. Foi como se os bancos tivessem ignorado a existência de uma Medida Provisória.
Para o Ricardo Tomczyk, diretor da Famato e presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis, o produtor, ao receber uma dessas cobranças, deve procurar a agência bancária e formalizar o pedido de alongamento de acordo com o previsto na Medida Provisória. Em Brasília o Ministro da Agricultura, Reinhold Stefanes, disse que os produtores já podem procurar os bancos para aderir ao processo de repactuação, o prazo vai até dia 30 de setembro. Quanto ao BNDES a previsão é de que ainda nesta semana fique resolvido o problema do repasse de informações . Para o setor produtivo é uma questão de urgência. O momento é de planejar a safra 2008/2009 e sem renegociar os débitos antigos o produtor poderá ficar impedido de recorrer a financiamentos de custeio para a próxima safra.