quinta-feira, 19 de junho de 2008

Moratória da soja: markting ou pressão?

A Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais anunciou esta semana que vai estender por mais um ano a moratória da soja. Em 2006 a ABIOVE em conjunto com a Associaçao Brasileira de Exportadores de Cereais se comprometeram a não comprar, pelo prazo de dois anos, nenhum grão de soja que fosse oriundo de áreas desflorestadas dentro do bioma da Amazônia. O prazo vence no dia 24 de julho, por isso esse anúncio de prolongamento.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso, Glauber Silveira classificou o anúncio como marqueteiro. Segundo ele a soja não é responsável pela abertura de novas áreas. Disse quem em 2004, portanto, antes antes da moratória, o Brasil tinha 6,2 milhões de hectares plantados e na safra deste ano foram 5,7 milhões. Pela lógica houve diminuição e como o produtor enfrentou, no mesmo período, problemas de caixa, seria uma absurdo, caso aumentasse o plantio, abrir novas áreas no lugar das que já estavam abertas. Para o presidente da Aprosoja proibiçoes não resolvem o problema do desmatamento e defende ações mais concretas como a descentralização da fiscalização, passando aos municípios parte da responsabilidade, o que facilitaria o combate aos crimes ambientais.
Mas a moratória, marqueteira ou não, é positiva. Propriedades rurais ambientalmente resolvidas certamente vão ter preferência na hora de vender a produção. Cada vez mais, daqui pra frente, os passivos ambientais serão barreiras de mercado logo a presença da moratória pode ser útil para que o produtor não esqueça disso.