No dia primeiro de maio passado eu comentava aqui a publicação da conab, onde os números mostravam uma super safra de cana no Brasil. Também disse que na região centro-sul do país 33 novas usinas entrariam em operação, em concorrência direta com o álcool produzido em Mato Grosso.Dizem que os números não mentem e o resultado, foi uma queda sem precedente nos preços do litro de álcool. Em Cuiabá tem posto comercializando a R$ 1,07. Bom para os consumidores, mas uma preocupação para os produtores. O raciocínio é lógico: as distribuidoras localizadas nos grandes centros consumidores, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, não vão comprar álcool daqui se lá pertinho tem grande oferta, estradas boas, frete mais barato. O que está acontecendo com o setor sucro-alcooleiro é mais um capítulo da sina mato-grossense que é a precariedade da infraestrutura de transporte. É ela o principal gargalo que tira a competitividade e ameaça a viabilidade da produção no Estado. Não adianta o governo se gabar, lá fora, do potencial do país em biocombustíveis, é preciso agir, vender álcool no mercado internacional. Para isso o corpo técnico precisa se mexer e aproveitar o momento de visibilidade do país.
No último relatório da Oxfam – organizaçao não-governamental dedicada ao combate da pobreza no mundo – o álcool produzido no Brasil é citado como o mais favorável biocombustível do planeta. A Ong ainda critica os países desenvolvidos que destinam alimentos para a produção de etanol, contribuem muito pouco no combate às mudanças climáticas, encarecem os alimentos e pioram a situação dos mais pobres. Qualquer semelhança aos Estados Unidos é mera coincidência, ou não?