terça-feira, 16 de setembro de 2008

Zoneamento da cana-de-açúcar: um balde de água fria nos planos de Mato Grosso


O setor sucroalcooleiro de Mato Grosso vive momentos de expectativa. Nos próximos dias deverá ser entregue ao Presidente Lula a proposta de zoneamento da cana-de-açúcar e pelo projeto a indicação é conter a expansão dos canaviais exatamente na região considerada o pólo produtivo no Estado. Nova Olímpia, Barra do Bugres , Lambari do Oeste e Mirassol do Oeste, nesta região, localizada na Bacia do Alto Paraguai, não haverá expansão de área e, conseqüentemente, a instalação de qualquer nova usina. Pelo menos é o que prevê a proposta do governo. Nessa região existem dois importantes rios que formam o Pantanal, o Paraguai e o Sepotuba, argumento suficiente para frear o aumento de área plantada. A região é maior pólo produtivo do Estado. Num raio de 150 quilômetros, partindo de Nova Olímpia, se produz 85% do álcool e açúcar mato-grossenses. Agora o setor quer consolidar a região e entrar na rota de um projeto que estuda a construção de um álcooduto, que ligaria o Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Porém para compensar o investimento é necessária a expansão. Dois projetos ambientais já foram protocolados na Sema para construção de 2 novas usinas em Tangará da Serra. Segundo Normando Corral, produtor e presidente do Sindicato Rural de Tangará, que está a frente dessas discussões, seriam necessários plantar mais 50 mil hectares de cana. Apesar da proibição na proposta do zoneamento, o que dá esperança aos produtores é que, pelo estudo já feito e apresentando ao órgão ambiental, não seria necessário abrir nenhum hectare a mais. Bastaria apenas a transferência da pecuária para a cana-de- açúcar. O próprio Governador Blairo Maggi tem ido a Brasília defender a região e entre os argumentos, a questão do combustível ecológico e a geração de empregos. As duas novas usinas abririam 4 mil vagas. Os lados se posicionaram, agora é esperar a decisão do Presidente da República.