Na semana passada, após abordar a ausência de atenção do governo estadual na geração de empregos em nosso município, fui nocauteado por informações de dois empresários conhecidos. Irão embora, vão mudar suas indústrias para Cuiabá. Foram convidados para se instalar lá, com uma série de benefícios, entre eles amplos terrenos na cidade industrial, isenção de ISQN e outras coisas mais patrocinadas pela prefeitura, significando 60 empregos que irão sumir em Tangará da Serra e serão gerados em Cuiabá. Se já não há crescimento nos empregos aqui, perdê-los é muito pior. Houve alguma ação de parte da prefeitura? Não! Infelizmente nos últimos anos as prioridades tem sido outras. Está na hora do povo e lideranças entenderem, serem necessárias muito além de festas, obras populistas as quais pouco acrescentam ao que realmente importa, qual seja gerar algo efetivo que traga benefícios à coletividade. As oportunidades para Tangará da Serra estão escapando por entre os dedos, apesar de todas as vantagens como infra estrutura educacional, rede de serviços, localização, porte urbano, etc... Reflitamos sobre o exemplo de Nova Marilândia, passando por um choque de gestão municipal, mudou definitivamente a vida de seu povo, tirando-o da condição de abandono e marginalidade. Nos últimos anos, o dissenso e a falta de renovação dos quadros políticos, a inércia da elite, a falta da adequada representação político-parlamentar, as intervenções do Poder Judiciário na administração municipal se somaram para resultar nesse quadro de desalento, perda de oportunidades, fuga de profissionais e agora de empresas. Quem vai gerar os empregos tão requeridos? A prefeitura municipal seguramente não, porque está inchada e com seu orçamento comprometido. Quem então? Por que até hoje a prefeitura, na ausência de quadros, não se valeu da UNEMAT para desenvolver um plano estratégico, buscando elaborar projetos geradores de empregos e renda baseados na agro industrialização e no turismo, entre outros? Projetos que não gerem maciços empregos significarão, antes de tudo, perda de tempo nos dias atuais. Para um jovem procurar emprego e não encontrá-lo não há nada pior. Só para lembrar, relatório produzido pela Organização Internacional do Trabalho – OIT, analisando 2006, ano de pujança econômica, denominado “Trabalho Decente e Juventude no Brasil”, demonstra que 65,7% dos jovens entre 15 e 24 anos estavam desempregados ou na informalidade. Aqui eram quantos? Hoje com a crise quantos são? Esse é desafio e o resto é bobagem e enganação.
Pensem nisso e até a próxima semana.
Este artigo foi escrito por Rui Wolfart, Engenheiro Agrônomo e Produtor Rural de Tangará da Serra,MT