Produtores rurais, representantes de lideranças agrícolas e indígenas, se reuniram duas vezes nesta semana. A última foi ontem a tarde em Diamantino, para discutir a questão que envolve fazendeiros e índios e que resultou na morte da cacique Valmireide, no mês passado. Pouco mais de vinte dias depois o clima é de medo em ambas as partes, mas também, dos dois lados, há esforços para que se restabeleça a paz entre os índios e fazendeiros. Depois do que aconteceu na fazenda Boa Sorte o produtores rurais pediram a presença da polícia na região e levaram a situação para autoridades, como governo do Estado e Ministério Público. A FUNAI tem mantido dois funcionários no local para ajudar nesse processo de pacificação. a tensão que ainda se percebe é atribuída a ameaças de que indígenas estariam dispostos invadir fazendas para destruir lavouras e maquinários. O administrador da FUNAI de Tangará da Serra, Carlos Marcio Bastos, garantiu que tudo não passa de boatos. Ele também confirmou que já está bem adiantado o processo para demarcação da Estação Pareci, que teria área de pouco mais de 2 mil hectares, onde 4 índios teriam moradia fixa e pelo menos outros 30, fariam parte das duas famílias que vivem na região. E essa demarcação que os produtores não querem. Segundo Valdir Correa, diretor da Famato e responsável pelos assuntos fundiários e indígenas, a região em que se pretende criar a reserva está consolidada como área de produção agrícola, há pelo menos 30 anos. Os títulos foram dados pelo incra, na década de setenta, durante a campanha de interiorização do país e que não seria justo agora retirar os proprietários do local . Mais do que o tamanho da área em questão, que nem é tão grande assim, o que preocupa o setor é que uma demarcação como a que se pretende fazer em Diamantino, abra precedentes para ampliações, insegurança jurídica e futuros conflitos. questão delicada em que o próprio Supremo Tribunal Federal, parece não saber como resolver. Veja o caso de Raposa Serra do Sol, bem parecido e ainda sem veredicto. A ironia é que o conflito foi acontecer justamente em Diamantino, terra do Ministro Gilmar Mendes.