quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A solução é a crise


O setor produtivo vive uma semana tensa com a decisão dos bancos de executar as dívidas dos produtores inadimplentes. Parece que a crise na agricultura chegou a um ponto delicado. Costuma se dizer por aí que é na crise que se cresce, que é na crise que surgem as melhores oportunidades ou então, que é na crise que se buscam as soluções. E talvez tenha chegado a hora. Essa história da dívida rural é tão antiga que a impressão é de que ninguém mais dá muita importância. O setor faz dívida e pede prorrogação atrás de prorrogação, o governo cria medidas paliativas mas não resolve o problema e a opinião pública não consegue entender porque os produtores reclamam tanto se o governo todo ano libera dinheiro para plantar. É complicado mesmo. Talvez falte dizer que quase não há dinheiro novo nessas linhas de crédito, que quando é anunciado um novo financiamento o governo conta com o pagamento de contas atrasadas, o que não acontece e tem analistas que até questionam a eficiência da gestão lá dentro das fazendas. Enfim, sobra pra todo mundo. Por isso já passou da hora de resolver essa questão, sob a pena de chegarmos a conclusão de que Mato Grosso é inviável para a agricultura de larga escala. Mas aí lembramos da balança comercial brasileira. O superávit, na segunda semana de novembro, foi de 734 milhões de dólares. e o complexo soja teve um aumento de 58,3% no volume de exportações, comprado ao mesmo período do ano passado. Com crise ou sem crise mundial, alimento nunca será supérfluo e não se pode desprezar a vocação de Mato Grosso na produção de grãos. O que deve ser feito ? Governo e setor precisam chegar a um entendimento, pra valer.