
Produtores rurais realizam amanhã a marcha a Brasnorte. Um encontro que vai discutir a demarcação de terras indígenas e a produção agrícola, parecido com o que ocorreu no mês passado em Roraima, na reserva Raposa Serra do Sol. A preocupação do setor produtivo se traduz em números. Dos 90 milhões de hectares que formam o Estado de Mato Grosso, 18 milhões já são áreas indígenas e pelas propostas existem, deverão passar para 23 milhões de hectares. O equivalente a área do Estado de São Paulo. No caso de áreas potencialmente produtivas isso significaria a redução de 50 mil hectares e um valor bruto de produção de 37 milhões de reais por safra, segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agrícola. A mais recente área ampliada e já homologada foi em Brasnorte. A reserva Iranche-Manóki, passou de 45 mil, para 252 mil hectares. Por isso o município foi escolhido para o encontro de produtores, indígenas e representantes de setores organizados da sociedade. Os produtores rurais não concordam na maneira como essas áreas estão sendo ampliadas, desrespeitando, muitas vezes, proprietários já a longa data. Outro discurso é de que os indígenas precisam de mais qualidade de vida e não de mais terra. Durante o encontro vai ser apresentado o projeto do Deputado Homero Pereira, que propõe que os estudo de ampliação passem pelo Senado, e não sejam de exclusividade da Funai.
O assunto é extremamente complexo, dizem representantes de organizações que defendem os indigenas. Essas ampliações são uma espécie de garantia de que as áreas não serão destruídas. Mesmo que os produtores digam que não pretendem desmatar além do que permite a lei, os grilheiros, um grande problema ainda em Mato Grosso, não têm compromisso nenhum. Passar a responsabilidade para o Senado esbarra na representatividade dos povos indígenas. Qualidade em vez de terra? Na aldeia Pareci, há quase uma década índios plantam soja comercialmente, em parceria com produtores. Um experiência ainda vista com desconfiança por muitos defensores indígenas, que não negam no entanto, que há situações positivas. Muitos índios que trabalhavam fora da reserva, retornaram, porque abriram vagas de empregos. Mas há tribos cujo contato com o homem branco é recente, como os Cinta-Larga de Aripuanã., ocorrido há pouco mais de três décadas . Nesse caso é preciso respeitar a tradição que ainda é baseada na agricultura de subsistência e extrativismo, e aí o tamanho da área preservada é fundamental. É uma questão de interesses e de sobrevivência que precisa ser conduzida com muita calma.