terça-feira, 9 de setembro de 2008

Aquecimento global e a agricultura brasileira


“O aumento das temperaturas em decorrência do aquecimento pode provocar perdas nas safras de grãos de R$ 7,4 bilhões já em 2020 (...) A mandioca pode desaparecer do semi-árido, e o café terá poucas condições de sobrevivência no sudeste.” Assim começa o estudo apresentado pela Embrapa e Unicamp, sobre os efeitos do aquecimento global na agricultura brasileira. O assunto é tema do seminário, realizado em Cuiabá, que trata do aquecimento global e coloca frente a frente pesquisadores, produtores rurais e ambientalistas. Reduzir o desmatamento é condição urgente para desacelerar as conseqüências, visto que reversão já não é mais possível. O aquecimento do planeta e fato inequívoco segundo relatório do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.
Em Mato Grosso o setor produtivo possui estudo que mostra que 64,5% da área do Estado é preservada, contra 33% ocupada pelo agro-negócio. A proposta e aumentar para 50% essa ocupação e garantir que o restante permaneça intocada. A proposta que deverá encontrar muita resistência, principalmente porque o discurso dos ambientalistas e reduzir o desmatamento a zero em sete anos. Cada um tem seus argumentos. O setor produtivo é responsável pelo superávit da balança comercial nos últimos anos. Os ambientalistas dizem que reduzir o floresta é colocar em risco o planeta, além de que floreta no chão não tem nenhum valor social. O caminho do meio é a mudança. O próprio relatório da Embrapa conclui que é urgente a adoção de práticas mais racionais para o uso do solo. Sistemas agropastoris – que é a integração da lavoura e pecuária, ou agrosilvopastoril – lavoura, reflorestamento e pecuária – são medidas aconselhadas. Em Mato Grosso a agricultura ocupa 8,8 milhões de hectares, contra 21 milhões da pecuária. É preciso modernizar.