terça-feira, 3 de junho de 2008

Bois piratas sem floresta

Mais uma vez Mato Grosso no topo da lista dos Estados que mais desmatam.
De 112, em março, para 794 quilômetros quadrados em abril. Um aumento e tanto, mas o próprio INPE acredita que as nuvens estão sobre os números. Em março 69% da área de Mato Grosso estavam cobertas, e em abril apenas 14% o que certamente foi responsável por essa diferença espantosa. De qualquer maneira o desmatamento existiu. Resta saber o que foi autorizado e o que é ilegal e então, punir quem estiver fora da lei.
O interessante nessa guerra de números é que começam a surgir discursos novos. O Ministro Carlos Minc usou até uma frase de efeito: "não adianta chorar sobre a seiva derramada" é preciso trabalhar. No mesmo instante, em Cuiabá, o governador Blairo Maggi disse que o combate ao desmatamento precisa ser preventivo. Parece que as instâncias governamentais estão se entendendo e isso pode resultar em ações positivas.
Enaquanto isso em Roma, na Itália, a cúpula de segurança alimentar da ONU discute o agravamento da crise global de alimentos. Os biocombustíveis, como o etanol e biodiesel, estão sendo questionados. O argumento para os defensores de fontes renováveis e menos poluentes é o aquecimento do planeta e, neste caso, queimar petróleo é contribuir com o efeito estufa. Falta comida, mas mudar a matriz energética também é uma questão de sobrevivência. Enfim, nunca antes, o mundo esteve diante de um dilema tão grande. A saída parece lógica: aumentar a produção de grãos. Nessa convocação o Brasil não fica de fora. O que o governo precisa fazer é incentivar, via programas de crédito, a recuperação de áreas degradadas, fazer com que voltem a produzir e também melhorar a pesquisa e a tecnologia das lavouras.
Isso é trabalhar preventivamente, é dar opção para que não seja preciso abrir novas clareiras nas florestas e nem sair por aí para cassar bois piratas.
O vídeo abaixo foi ao ar no Bom Dia Mato Grosso da TV Centro América, Cuiabá, nesta data.