O embargo do mercado europeu à carne brasileira acirrou as discussões sobre o controle de sanidade do rebanho brasileiro. As certificadoras acusam os pecuaristas de não dar continuidade ao trabalho de rastreamento; para as certificadoras sobram acusações de se preocuparem apenas em vender os brincos. Ainda tem os frigoríficos que são os que decidem pra onde vai a carne e se foi produto não rastreado para a europa, como admitiu o próprio ministro Reinhold Stefanes, em tese, os responsáveis seriam os frigoríficos. O governo, que no meio dessa confusão toda, é acusado pelo setor produtivo de não ter pulso firme diante da situação.
A Europa é cliente, e como diz o ditado, sempre tem razão. As exigências sanitárias são consideradas por muitos como absurdas, mas não podemos esquecer que eles apenas querem o produto que foi oferecido lá atrás, ainda quando Pratini de Moraes era o Ministro da Agricultura. Foi lá a origem de toda essa confusão, quando não se questionou as exigências européias e quando se criou o sisbov, sistema de rastreabilidade, considerado pelos analistas como inexequível – impossível de ser colocado em prática – e a prova disso pode ser a troca de acusações que acabamos de citar.
Nesta semana o governo apresentou uma lista de 200 propriedades rurais aos técnicos da união européia que estão no Brasil para vistorias. Mais combustível para as discussões. Os produtores de carne ameaçam entrar com ações na justiça caso o governo insista em limitar o número de propriedades e também há outros riscos. Julio Rocha, membro da comissão de pecuária da acrimat – associação dos criadores de Mato Grosso – lembra que pelo novo sisbov as propriedades que rastreiam o rebanho podem negociar o gado entre si. Logo, as que não estiverem habilitadas estariam livres para vender àquelas autorizadas para exportação, tornando-se assim numa espécie de entre-posto. Na prática atravessadores e aí o perigo é a exploração e a corrupção.
Os produtores esperam que o governo se posicione de maneira mais firme, que proponha ao mercado europeu uma alternativa prática para o controle sanitário do rebanho, como é no Uruguai e na Argentina. Não é uma tarefa fácil, vai exigir habilidade para não espantar o cliente, afinal é um mercado importante. Os europeus compram só cortes nobres – filé, contrafilé, picanha, alcatra e colchão-mole – o volume exportado representa apenas 3%, mas a receita, essa chega a 31%. O acumulado de janeiro de 2007 a janeiro de 2008, foi de US$ 1.086.968.947,00.
O Vídeo que segue foi ao ar nesta data no Bom Dia Mato Grosso, da TV Centro América - Cuiabá